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Review // Alan Wake

Be First!
by Fevereiro 21, 2015 Gaming, News, PC, Reviews

Alan Wake é um jogo de suspense em terceira pessoa, desenvolvido pela Remedy Entertainment que nos trouxe no passado outros títulos icónicos como Max Payne e Death Rally.

Tal como o título indica, somos Alan Wake, um escritor de contos de terror cuja mente não está no seu melhor estado. Esta fragilidade mental impossibilita-o de escrever e então, este decide tirar umas férias com a sua esposa, Alice, na pacata cidade de Bright Falls. A população é amigável e ao início tudo parece calmo e normal até que Alice é raptada e cabe a Alan desvendar o mistério do seu desaparecimento e até mesmo descobrir a história por detrás desta pequena cidade e da sua população. O jogo inicia com um tom suave mas rapidamente se torna numa emocionante luta contra The Dark Presence – uma força sobrenatural que atormenta Alan Wake e a própria cidade de Bright Falls. Este inimigo é extremamente adaptável, utilizando a escuridão como sua principal arma; na escuridão, este inimigo é invulnerável e possui várias habilidades tais como omnipresença e possessão. Esta última garante controlo à Dark Presence de todos os indivíduos ou objectos que possua, sendo estes apelidados de Taken. A única fraqueza de todos estes antagonistas é a Luz, utilizada como principal meio de defesa por Alan Wake, que destrói a escuridão que protege os Taken, permitindo assim que estes sejam derrotados por meios mais tradicionais, tais como pistolas e espingardas.

A história é um ponto forte deste jogo, que nos mantém interessados até ao fim; esta toma um formato episódico, o que permite apreciar a narrativa em doses pré-definidas, sendo também o progresso na história mais evidente, já que é apresentado ao jogador um pequeno resumo do episódio anterior e acabando todos os episódios com um cliffhanger que é satisfatório o suficiente para saciar a curiosidade até jogar novamente, ou, por outro lado, intrigante o suficiente para nos fazer continuar a jogar. Alan Wake narra todos os acontecimentos, partilhando a sua desorientação e objectivos, sendo isto importante para o envolvimento do jogador. Este envolvimento não nos é fornecido exclusivamente pelas narrações deste personagem, mas também por diversos pedaços de informação e contexto espalhados pelo mapa – desde a descrição de um monumento, a transmissões da central de rádio de Bright Falls; tudo influencia a história positivamente. Dita história está repleta de personagens que são bem desenvolvidos com o decorrer do jogo, mesmo que sigam alguns estereótipos menos credíveis e que possam parecer ligeiramente exagerados. Personagens que ao início são um pouco irritantes são bem trabalhadas e tornam-se valiosos aliados no decorrer da aventura (Barry, estou a olhar para ti). Apesar de todas estas qualidades, a maioria do suspense é perdido com o avançar da história e o resultado final fica muito aquém do que se possa esperar, dado que é claramente visível que esta não tem nenhum tipo de conclusão e preparar-se para futuros DLCs e até mesmo sequels.

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Graficamente, Alan Wake surpreende. De dia as paisagens são vastas e apresentam bastante detalhe; de noite -ou seja, durante a maioria do jogo – a utilização estratégica de focos de luz, escuridão e sombra permite criar um ambiente credível cujo detalhe é inegável. A utilização de nevoeiro foi extremamente bem conseguida, já que cria um sentimento de claustrofobia e desorientação. A lanterna que Alan Wake tem consigo é um elemento importantíssimo não só durante o combate, mas também para exploração, já que os efeitos de luz são impressionantes e permitem ao jogador imergir-se no cenário que o rodeia. Mais tarde são apresentadas outras fontes de luz, estritamente utilizadas em combate, tais como flares e flashbangs, que possuem propriedades de luz diferentes, mas não menos conseguidas.

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Em relação ao som, Alan Wake apresenta um conjunto de personagens interpretadas por actores evidentemente experientes, dada a qualidade das dobragens. Alguns dos personagens menos sérios podem, involuntariamente, distrair um pouco o jogador, mas nada que estrague a experiência na sua totalidade. O som das armas é bastante satisfatório durante o combate, mais uma vez contribuindo para a imersão, tal como a própria música, que é subtil mas eficaz nas cenas de silêncio e criação de suspense e mais invasiva e energética nas cenas de combate e fuga. Os efeitos sonoros e a música ambiente nos segmentos iniciais, onde o jogo consegue alcançar a sua excelência no toca ao suspense, são praticamente perfeitos, vendendo uma atmosfera arrepiante e credível.

Directamente associado ao som e gráficos está o lip-sync que, infelizmente, não é bom – muito pelo contrário. Em cenas mais calmas ou de menos tensão, essa falta de qualidade não é tão evidente; porém, em cenas mais dramáticas é incrivelmente notável e torna-se distractivo e, algumas vezes, cómico – o que pode interferir com a imersão do jogador, da qual Alan Wake depende.

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No toca à jogabilidade, Alan Wake beneficia de controlos precisos na maioria das situações. Em relação ao combate, contamos primariamente com a importante lanterna que é utilizada como principal meio de destruição das defesas que rodeiam todos os inimigos, a escuridão. Após esta defesa ser destruída, podemos então eliminar os adversários com armas mais tradicionais. Estas armas são bastante convencionais ao início, mas após algum desenvolvimento da história, somos presenteados com armas muita mais satisfatórias, tais como flares, pistolas sinalizadoras e até mesmo flashbangs. A munição é escassa, principalmente quanto maior for o nível de dificuldade; portanto, existe sempre o receio de ficar sem munições. É também possível esquivarmo-nos dos ataques dos inimigos com um simples pressionar de botão, que inicia uma espécie de slow-motion; esta habilidade é claramente inspirada no Bullet Time de Max Payne e favorece Alan Wake com um pouco mais de estilo próprio. Esta habilidade tem de ser utilizada com um timing específico, o que torna o combate tenso e satisfatório, dado que é extremamente fácil activá-la demasiado cedo/tarde e, por causa disso, ser derrotado em combate. Há que salientar também a variedade dos inimigos, já que encontros com novos tipos de Taken são relativamente comuns. “Relativamente” porque, por outro lado, com o desenrolar da história, os encontros tornam-se cada vez menos especiais já que a fórmula base é sempre a mesma. Digamos que o combate tem uma qualidade crescente durante uma grande parte da aventura mas depois a única diferença é sermos confrontados com números constantemente crescentes de inimigos e a quantidade de luz e balas necessárias para nos dispormos deles também aumenta. O ponto mais fraco na jogabilidade é, nitidamente, os segmentos em que temos de conduzir. Os controlos são absolutamente horríveis. Tão horríveis que decidi percorrer algumas das partes a pé para evitar bater constantemente em tudo com que me cruzava.

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Alan Wake tem também um número considerável de collectibles; porém, estes não desbloqueiam qualquer tipo de conteúdo adicional, a não ser achievements na Steam.

Em termos de replay value, é um jogo que será, possivelmente, experienciado apenas uma vez; porém creio que  vale a pena uma nova visita bastante tempo depois já que a história, o suspense e os personagens tornam esta história absolutamente memorável e todos os seus pequenos defeitos não são, de todo, impeditórios de uma boa experiência.

Apontamentos a retirar

Alan Wake é uma experiência obrigatória para todos os fãs de suspense e terror psicológico.

Por um lado temos uma história intrigante,  repleta de personagens bem desenvolvidas, cujas dobragens são de óptima qualidade;  Em termos gráficos, são-nos apresentados cenários de grande beleza, com um nível de capacidade de imersão apreciável e com muita atenção ao detalhe. O combate tem uma forte identidade própria, sendo inovador durante a maioria do jogo, tanto a nível de armas que temos ao nosso dispor, tal como os tipos de inimigos. A música e o som em geral são perfeitos, já que nos permitem imergir no mundo de Alan Wake.

Por outro lado, o lip-sync e os segmentos de condução são desastrosos, afectando obviamente a experiência. São também apresentados collectibles que não desbloqueiam qualquer tipo de conteúdo extra e o jogo termina deixando muito a desejar já que não existe qualquer tipo de conclusão da narrativa – um modo um pouco vergonhoso da Remedy Entertainment se preparar para futuras sequels e DLCs.

Nota Final: 8.5/10

Autor: Simao Cristo

Sou o fundador deste estabelecimento e de má ortografia. Estudo Gestão Hoteleira e comecei esta vida de gamer desde gaiato. Fui aos poucos adquirindo outros vícios como filmes, comics, animes, mangás, séries de TV

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