ARRIVAL | o príncipio da comunicação

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Arrival, de Denis Villeneuve, é um dos filmes nomeados para os Prémios da Academia. Conta com 8 nomeações: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Edição de Som, Melhor Mistura de Som, Melhor Direcção de Arte, Melhor Cinematografia e Melhor Edição.

Louise Banks (Amy Adams) é uma expert em Linguística, a qual estabelecemos contacto numa Universidade onde parece leccionar. É então anunciado em todo o noticiário que 12 naves  de origem desconhecida (e forma também) instalam-se no Planeta, gerando a confusão e accionando, rapidamente, as forças militares e planos estratégicos para abordar estes veículos. Confesso que até ver este filme, estava um pouco aborrecida de histórias com aliens e a sua invasão à Terra (nomeadamente os EUA), acabam sempre da mesma forma, a mensagem que transmitem é também sempre a mesma, o desenvolvimento possui , por norma, o mesmo impacto: um dia calmo na Terra, até invadirem, caos, vamos todos morrer, dose de coragem, ganhamos aos maus, final da história.

No entanto, esta história não se trata de uma invasão qualquer. Arrival trata simplesmente de um primeiro contacto entre povos. Da mesma forma que nós exploramos tribos e tentamos estabelecer comunicação e compreender as suas culturas, Banks tenta o mesmo com o povo alienígena. Banks parte de pressuposto que para ser um povo, que a coexistência em grupo possui como base a comunicação, de alguma forma “Abbot” e “Costello” (nomes dos aliens) têm que ter uma linguagem. De entre os vários conceitos da área da linguística, e obviamente extrapolando-os ao nível do fantástico, a noção de que o cérebro adquire determinadas capacidades cognitivas por aquisição de linguagem, é consciente.

Actualmente, a espécie humana adquiriu determinadas capacidades de função superior, precisamente porque desenvolvemos a linguagem (escrita, lida e falada). Tendo em conta que este povo comunica através de estímulos visuais, em que um símbolo corresponde a uma frase e/ou texto, a noção temporal é ultrapassada em anos de luz à do homo sapiens sapiens. A nossa língua (e quando digo a nossa, refiro a do mundo inteiro) parte toda da mesma noção, um conjunto individual de símbolos (visuais ou auditivos) juntos, originam uma frase, que por sua vez o seu conjunto originará um texto. O controlo e consciência de tempo da nossa espécie é emparelhado com o presente.

A genialidade do argumento de Arrival (na minha opinião) ocorre quando a capacidade adquirida, por aprendizagem desta nova língua, é a reformulação TOTAL do chronos, o tempo não tem que ser vivido para ser percepcionado. “Offer weapon” – ironia das ironias, a arma é o conhecimento.

Arrival é um filme de esperança, que nos devolve a ideia que explorar o espaço não tem que necessariamente significar a instalação da guerra intergalática. Que pode existir uma partilha de conhecimento, que até contribua para a evolução da nossa espécie. Aconselho-o a mentes que gostem de argumentos diferentes, diálogos complexos e pouca acção (física). Não aconselho, no entanto, se estiveres à procura de um filme de invasões alienígena, tiros, carros e organização militar.

[SPOILER] – Para quem já viu o filme e gosta de factos curiosos: aquilo que o  General Shang sussurra ao ouvido de Louise Banks e que impede, no fundo, o fim do mundo como o conhecemos é, “In war, there are no winners, only widows.” – que traduz, de forma livre, “Na guerra, não existem vencedores, apenas viúvas(os)”.

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