HIDDEN FIGURES | Uma lição para todos

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“Based on a true story” É a mensagem que inicia a trama de Hidden Figures. Confesso que estava reticente acerca deste filme. Achei que a época em que lançam este filme é “inteligente”, do ponto de vista que este é claramente um filme feminista. Atenção, não que isso seja um ponto negativo. Mas infelizmente, o feminismo não é visto como outrora, ou como na altura em que a história está inserida.

Contudo, Hidden Figures deu-me uma bofetada na cara e na teimosia. Theodore Melfi conta-nos uma história sobre a inteligência, sobre a importância dos génios da matemática, da engenharia, da mecânica… 1961. Época da Guerra Fria, confronto entre os Estados Unidos da América e a União Soviética na corrida à conquista do Espaço. Os EUA atravessam uma difícil crise racial, entre negros e brancos, que era igualmente espelhada dentro dos perímetros da NASA. Um grupo de funcionárias negras era obrigado a trabalhar numa divisão à parte do resto do edifício. Nesta ala colorida (referida assim no filme) estavam Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). O trio é constantemente colocado à prova da sua genialidade, a segregação de cores obriga estas mulheres a trepar muros de preconceito altíssimos, para chegar onde estão os homens brancos.

 

plot do filme não é grande choque, e ainda bem! Porque o espectador quer a vitória destas senhoras, e sinceramente odeia a parvoíce da divisão de cores. Acho que por isso Melfi agiu bem em demonstrar, durante estes tempos de regressão mental, que a divisão de etnias, raças, cores é uma perda de tempo e absurdo, quando todos podemos contribuir para um objetivo massivo. Na realidade, os EUA foram o primeiro país a ir à Lua, em 1969; John Glenn foi o primeiro astronauta (Norte-Americano) a entrar na órbita da Terra, a bordo do Friendship 7, em 1961. De entre os vários slogans do filme um deles refere “The movie that America needs right now”, porque é claramente um apelo aos tempos que antes ditavam o país, e que actualmente ameaçam o seu regresso.

Após os demais impasses à inserção do trio na história dos EUA, existe um ponto de viragem “à cinema” para cada uma das personagens: Katherine G. Johnson é autorizada na sala técnica das viagens espaciais, e torna-se a primeira mulher que oferece contribuições técnicas fundamentais para o avanço da aeronáutica e exploração espacial; Mary Jackson torna-se engenheira da NASA; e Dorothy Vaughan foi a primeira mulher negra a subir a um posto de supervisora da NASA. Sem o contributo destas três senhoras no projecto Mercury, a corrida ao Espaço teria sido monopolizada pela Rússia, hoje em dia a bandeira das riscas vermelhas e brancas na Lua, teria outro formato (Muito provavelmente o da União Soviética).

Eu sou muito pouco imparcial em temas como este, não consigo perceber nem a segregação dos anos 60/70, nem este tipo de discriminação social e de géneros. Portanto, para mim é um pouco surreal o tratamento que estas pessoas estavam sujeitas para poderem apenas ter as mesmas oportunidades. No entanto, são filmes como este que relembram outrora, e mantêm a minha consciência limpa.

É um filme para mulheres, sim! Mas também é um filme para homens, porque apreciam as poucas oportunidades que nós tínhamos no mundo do trabalho. E também um filme para os mais novos (adolescentes) porque inspira e aspira à luta pela carreira, à defesa das mentes brilhantes – e principalmente ao valor da educação.

Hidden Figures está entre os nomeados para a 89ª Gala dos Prémios da Academia (Oscars): Melhor Filme, Melhor Atriz Secundária (Octavia Spencer) e Melhor Argumento Adaptado.

 

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