LUKE CAGE é uma série à prova de bala

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A série original do Netflix, “Marvel’s Luke Cageou simplesmente Luke Cage, realizada por Cheo Hodari Coker, estreou no passado dia 30 de Setembro de 2016 em 13 episódios. Contada e inserida no Marvel Cinematic Universe (MCU), dá continuidade ao elenco e história seguido nos filmes e, posteriormente conduzirá a um super crossover, ansiado pelos fãs deste mundo, os Defenders. A série passa-se posteriormente a “Marvel’s Jessica Jones” e, por conseguinte, posterior ao “incidente” em Nova Iorque, no qual os Avengers tiveram o papel principal. Neste presente, os humanos têm conhecimento da existência de indivíduos com capacidades extraordinárias

Desde logo, a série de Luke Cage, interpretado pelo ator Mike Colter, envolve os seus fãs não só pelo elenco e personagens icónicas, pela banda sonora exímia, mas também pelos cenários, fotografia e referências ao ambiente dos bairros de Harlem. Todavia, a série demorou a “encher-me o olho”, no sentido em que tive alguma dificuldade, ao início, de me inserir no mundo de Cage. Não gosto de fazer comparações, porque cada super-herói tem o seu ambiente, contexto, “personalidade”. Mas Cage complicou o meu processo de empatia. Talvez porque este herói foi-me inserido em Jessica Jones de uma forma mais possante, sexual e explosiva. Em contrapartida, deparo-me com um Cage mais calmo, reticente e cauteloso. Confusa e, de alguma forma, expectante por um início de série mais ativo, compilei algumas opiniões negativas ao início da série.

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Contudo, a genialidade deste original do Netflix, não reside somente na personagem principal, pelo contrário, Coker cozinha uma inserção neste mundo de Cage de uma forma tão mestre, que quando embebida nele é tarde demais e anseio o início de uma nova temporada, já!

Salvo a ressalva dos cenários e fotografia escolhidos para a série televisiva. Ora, o ambiente envolvente de uma espécie de série criminal, a opção da maioria da ação realizar-se de noite, a tonalidade das cores escolhidas serem sempre escuras (raramente vemos alguém vestido de branco), aumenta o suspense e a intriga conduzindo o expetador a um estado constante de ‘algo vai-se passar’. Além disso, os diálogos entre personagens são normalmente lentos, há significantes paragens entre perguntas e respostas. Aos poucos o expetador já está inserido no ambiente gangster e eis que surge a aclamada banda sonora. O pináculo de uma cena típica de um thriller cinematográfico, o momento em que aliviamos a tensão da cena anterior e conseguimos apreciar a música a um nível que é possível memorizar. São raras as séries que são capazes de realizar tal feito, por exemplo, pouco ou nada foram mencionadas as bandas sonoras de Daredevil ou Jessica Jones.

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O facto de uma banda sonora possuir tal mestria e impacto no espectador, faz com que este desenvolva uma determinada emoção em relação a uma determinada personagem. Quer seja de ódio, de admiração, de choque. No entanto, exige de uma forma paralela, que essas personagens sejam bem consolidadas. Por norma, séries que desenvolvem o carácter das personagens a esta escala, deixam a desejar o papel dos “bons da fita”, fazendo com que o espectador admire maioritariamente o vilão. Não se vê tal fenómeno em Luke Cage. Apesar de inserir MercedesMisty” Knight (Simone Missick) de uma forma um pouco básica, o típico polícia que não está de acordo com o vigilante, a personagem da detective é muito mais do que isso. Sendo criada pelas ruas de Harlem, este detective representa a constante luta contra um sistema oprimido pelo poder do dinheiro permitindo-lhe uma ‘visão’ diferente. Curiosamente, a personagem demonstra uma espécie de super poder que lhe dá a capacidade de deduzir acontecimentos baseada na visão de uma cena de crime. Por outro lado, a inserção dos vilões é desde logo, marcante. O trio CornellCottonmouth” Stokes (Mahershala Ali), Hernan “Shades” Alvarez (Theo Rossi) e Mariah Dillard (Alfre Woodard), é para mim dos melhores trios de vilões que já participaram na MCU. Não pela crueldade dos seus atos, ou pela representação do mal. Mas pela inteligência na sua tirania. Até a data achei que era impossível chegar ao nível de Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), no entanto, preferi esta versão de tirano. Um vilão é sempre marcado por um trauma, que paralelamente o torna fraco, não foi o caso. A serenidade, a falta de receio e a falta de fraqueza fez com que o único obstáculo a estes vilões fosse eles mesmos. E por esta razão, devo confessar que não simpatizei com a baixa de Cottonmouth e a inserção de Willis Stryker/Diamondback (Erik LaRay Harvey). Talvez a exploração de cada um dos polos de maldade em duas temporadas diferentes. Ou talvez mudar a cronologia do momento em que foram inseridos. O enredo/objetivo da série ficou um pouco dúbio, sendo que foi muito rápida a passagem de um Cage que quer “fazer a coisa certa” a um Cage que quer derrotar “fantasmas do passado”. Considero que este enredo deveria ter sido melhor delineado, pois aquando do final da série (pós Conttonmouth) o espectador apenas queria saber o porquê da vendeta de Diamondback contra Cage. Acho que a vinda de Stryker foi como que “só mais um vilão” em comparação com o trio original.

Por outro lado, a inserção de personagens do passado de Luke Cage (Shades e Diamondback), permitem ao expetador alguns flashbacks que dão constructo à personagem, e aos fãs mais assíduos deste herói, o vislumbre do herói clássico com a tiara cor de prata, o cabelo e a camisa verde. Apesar de Coker primar pela modernização de Cage, considero um ponto a favor, não só o regresso às origens mas também o regresso retro do super-herói das comics.

Por último, mas não menos importante, ressalvo aquilo que considero ser o ponto extasiante para um fã de heróis aos quadradinhos, a possibilidade de se juntarem todos no mesmo “quadradinho”. A esperança é mantida pela personagem de coligação que é Claire Temple (Rosario Dawson). A participação desta personagem em qualquer série do franchise dá ao expetador a noção de que, de alguma forma, eles vão encontrar-se. Apesar de não concordar plenamente com o caso amoroso que desenrola na série, compreendo-o de uma forma de atracção para diferentes públicos. O momento em que Claire refere que se Cage necessitar de um advogado, qualquer fã arregala os olhos como se avistasse um presente, a esperança mantém-se!
O desfecho da série é também ele esperançoso, queremos um super-herói sem receio do seu passado, Cage demonstra ter mais capacidades do que o olho alcança e que ele próprio desconhece. Para tal, e Coker dá essa esperança ao expetador, Cage deve liberta-se completamente de Carl Lucas e, assim com Pop referiu, seguir “always forward”.

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